O futuro da medicina está no alimento

O futuro da medicina está no alimento_post

O futuro da medicina está no alimento

0 Comentários
|

Entre aulas de anatomia e bioquímica, estudantes de medicina, nos EUA, estão aprendendo a refogar, ferver e temperar saudáveis refeições caseiras.

Desde 2012, os alunos do primeiro e segundo ano na escola da Universidade de Tulane de Medicina, em Louisiana, estão aprendendo a cozinhar. Desde que o programa foi lançado, a Universidade de Tulane construiu a primeira escola de medicina com o ensino de culinária incluso e se tornou a primeira do país a contar com um chef como instrutor em tempo integral.

Dezesseis escolas de medicina já licenciaram o currículo, como também duas escolas não médicas, o programa de residência do Hospital Infantil San Antonio-Sky Lakes e a Escola de Enfermagem da Faculdade da Comunidade do Noroeste de Arkansas. Na verdade, cerca de 10% das escolas de medicina dos Estados Unidos estão ensinando aos seus alunos como cozinhar com o programa de Tulane, relatou Tim Harlan, que lidera o Centro Goldring de Tulane para Medicina Culinária, na conferência da Fundação James Beard. E também é oferecido programas de extensão com certificação para a medicina culinária, para médicos, médicos assistentes, enfermeiros, farmacêuticos e nutricionistas.

O programa, desenvolvido com a escola de culinária Johnson & Wales, ajuda os médicos a dar reais conselhos de saúde para seus pacientes, diz Harlan, que é chef e médico. “Nós não estamos falando de nutrição, estamos falando de comida.”

“Traduzimos a preponderância de evidências dietéticas”, que geralmente apoia a elogiada dieta mediterrânea, “para a cozinha americana”. Isso inclui a consideração de custo, bem como valores nutricionais – doenças relacionadas à dieta, como a obesidade, estão frequentemente ligadas a comunidades de baixa renda, incluindo a comunidade de Nova Orleans que a cozinha da Universidade de Tulane também serve. Isso também funciona bem para a formação de médicos quando estão com orçamento apertado, diz Harlan.

As aulas de culinária são complementadas com palestras, leitura e soluções de problemas em equipe, e apesar dos cursos serem dados para o primeiro e segundo ano – contando no primeiro módulo com uma visão geral da dieta mediterrânica e habilidades básicas de manuseio de facas -, Harlan conta que estão desenvolvendo cerca de mais 30 módulos para estudantes de terceiro e quarto ano, que incidirão em doenças específicas, como a insuficiência cardíaca congestiva, HIV e a doença celíaca.

Os fãs do programa, incluindo médicos e chefs, estão esperançosos que esse aprendizado faça parte de uma grande mudança na forma como os médicos se comunicam com seus pacientes sobre nutrição, especialmente em meio a crescentes taxas de obesidade e outras doenças relacionadas. Atualmente, conforme estudo de 2011, menos de metade dos médicos de cuidados primários oferecem aos pacientes orientação específica sobre dieta, atividade física ou controle de peso. “O fato de que os médicos estão aprendendo a cozinhar é como uma revolução”, disse Sam Kass, ex-chefe da Casa Branca e consultor sênior de política de nutrição, na conferência de James Beard.

Embora ainda cedo para os resultados do programa de Tulane, dois estudos separados demonstraram a sua eficácia, tanto para os pacientes quanto para os estudantes de medicina. (Ambos os estudos incluíram autores do Centro Goldring.) O primeiro estudou pacientes com diabetes tipo 2 e encontrou, por exemplo, que aqueles que participaram do programa apresentaram uma grande queda no colesterol total, enquanto que aqueles que não participaram, apresentaram aumento. O segundo estudo descobriu que estudantes de medicina também se beneficiam desde que o aconselhamento nutricional foi importante para eles próprios. No segundo ano, os estudantes de medicina que participaram do estudo comiam significativamente mais frutas e verduras do que previamente.

Harlan espera uma mudança radical na forma como os médicos tratam as doenças crônicas – e a forma como as seguradoras possam incluir o alimento como despesa reembolsável. Na conferência, Kass descreveu um futuro onde os médicos escreverão receitas de pratos como prescrições e as companhias de seguros tratem os alimentos como uma despesa reembolsável. (Há, naturalmente, um forte argumento econômico em favor de uma abordagem baseada na prevenção à saúde.) Harlan prevê que planos de saúde acabarão por incluir planejamento de cardápio, receitas e talvez até mesmo programação para conseguir os ingredientes entregues aos pacientes.

Fonte: essentialnutrition