Low Carb - Reflexões sobre saúde e alimentação

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Low Carb – Reflexões sobre saúde e alimentação

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Em fevereiro de 2015, o site da CNN publicou o seguinte título: “Cholesterol in food not a concern” (colesterol nos alimentos não é preocupação). Não parece que esse título tenha sido noticiado pela mídia no Brasil, mas de fato as diretrizes em nutrição, de acordo com as instituições mais influentes nos Estados Unidos publicou de forma objetiva:

Cholesterol is not considered a nutrient of concern for overconsumption.

Essa frase não está subentendida no DGAC (Dietary Guidelines Advisory Committee -Comitê de Advertência paras Diretrizes Alimentares) para 2015. A frase: Colesterol não é considerado um nutriente para preocupação de consumo em excesso, – está explícita na nova cartilha que orienta a alimentação para a população americana, assolada pela impressionante estatística de que mais de 70 % de homens e mulheres estão com sobrepeso, obesas e super-obesas, após décadas de advertências para uma alimentação que deveria ser promotora de saúde.

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Na página 91 do Relatório Científico de Diretrizes Alimentares do Comitê Consultivo 2015, que tem 572 páginas: “Anteriormente, as Diretrizes Alimentares para os Americanos recomendavam que a ingestão de colesterol deveria ser limitada a não mais do que 300 mg/dia. O DGAC de 2015 não apresentará esta recomendação porque a evidência disponível mostra que não há nenhuma relação significativa entre o consumo de colesterol dietético e o colesterol no soro (sangue), de acordo com o relatório da AHA / ACC (American Heart Association / American College of Cardiology). O colesterol não é um nutriente de preocupação para o consumo excessivo.”

Com certeza essa é uma mudança muito representativa, considerando o contínuo alarme alimentar que temos sido submetidos há mais de meio século Afinal isso tira completamente o sentido daqueles carimbos nos rótulos de uma infinidade de produtos alimentares que mostravam frases como: “Produtos sem colesterol”, “0% Colesterol”, “Livre de colesterol como qualquer produto de origem vegetal” e outras insanidades de marketing similares.
O colesterol tem sido uma parte importante das advertências e orientações dietéticas desde que a American Heart Association (Associação Americana do Coração) colocou esse composto bioquímico (na verdade uma molécula essencial à vida humana) em sua mira nos anos 50.

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Dr. Steven Nissen

Para a CNN o Dr. Steven Nissen, presidente da medicina cardiovascular da Clínica Cleveland, disse: “A ideia de que precisamos para limitar a gordura saturada e colesterol fez os americanos deslocar de uma dieta bem equilibrada para dietas ricas em açúcar, o que fez as pessoas comerem mais e ficarem mais obesas. “

Prossegue a reportagem da CNN: Na realidade, de acordo com Nissen, é que apenas 15% do colesterol que circula no sangue vem do que você come. Os outros 85% são provenientes do fígado. “Então, se você seguir em uma dieta (restritiva de colesterol)“, diz ele, “você não vai mudar muito o seu colesterol.”

A reportagem especula que muita coisas possam mudar frente a esta decisão. Alimentos que são ricos em colesterol, como ovos, camarão e lagosta, poderão ter um grande aumento nas vendas. Estes alimentos, que poderiam estar limitados – ou mesmo banidos – nas casas das pessoas, poderão retornar em grande estilo!

E quem está dizendo o que comer? São 14 especialistas externos que compõe o DGAC- Comitê Consultivo de Diretrizes Dietéticas para 2015 e que são reconhecidos nacionalmente nas áreas de nutrição, medicina e da saúde pública.

As recomendações mostram mudanças importantes mas creio que ainda há muito o que mudar no que diz respeito as restrições ainda vigentes, por exemplo ao consumo de gordura saturada.

Mas sem dúvida essa é uma mudança promissora, e serve de alerta: quando ver aquele rótulo em um produto de supermercado que mostra que sua vantagem seja não ter colesterol, pode deixá-lo de lado. Sua eventual melhor característica é no mínimo irrelevante, e distante da ciência. As demais na verdade podem ser até piores!