Depoimento de Mayanna Barros

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Depoimento de Mayanna Barros

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Olá, pessoal! 

Pra começar, um pouquinho do meu caminho até aqui: já procuro me alimentar de uma forma saudável há um bom tempo (alguns anos). Entretanto, sofria bastante com o efeito sanfona, e ano passado resolvi dar um basta (mais uma vez) nisso! Descobri muitas pessoas inspiradoras no Instagram, o que me motivou a seguir em frente, a me disciplinar, a correr atrás do que eu queria sem desculpinhas (eu era a rainha das desculpas, sério)! Em menos de seis meses vi meu corpo mudar, resultado de uma alimentação balanceada, algumas ‘jacadas’ (furos na dieta, comer algo como um brigadeiro), atividade física e força de vontade.

Não posso dizer que odiava frango com salada, arroz integral etc… Ao contrário, estava até satisfeita com meu plano alimentar, embora vivesse esperando o dia em que eu já estaria sequinha o suficiente para me permitir uma refeição livre por semana. Até que, um belo dia, completamente sem querer, descobri a “dieta” LCHF (Low Carb High Fat/Keto)… E entrei em CHOQUE! Afinal, ela vai de encontro a praticamente TUDO o que eu acreditava sobre alimentação saudável e sobre perda de peso/gordura. Intrigada e muito curiosa, comecei a pesquisar bastante, e depois de ler muito, decidi que não tinha outra opção: eu tinha que testar para ver se funcionava! Comecei bem incrédula, admito… Mas os primeiros resultados foram me empolgando, e resolvi encarar de vez essa nova proposta!

Em síntese, o conceito LCHF/Keto/Paleo prima que nos alimentemos daquilo que nosso corpo está acostumado há milhares de anos: carnes, frutas, vegetais e GORDURA! Não são nada bem vindos os produtos refinados, os alimentos processados e os grãos. Os dois primeiros eu sei que é mais fácil de compreender (afinal, eles só passaram a integrar nossa dieta a partir da revolução industrial, e nossa saúde sofreu uma abrupta mudança – para pior – depois disso). Mas e os grãos?! De onde vou tirar os carboidratos que preciso?

Em primeiro lugar, parte-se do princípio (baseado em diversos estudos científicos randomizados) de que carboidrato não é essencial para o funcionamento do nosso organismo. Mas isso não quer dizer que eles vão ser banidos: poderão advir das frutas e vegetais, além das raízes (batata doce, mandioca, abóbora…). Já os grãos, eles não eram consumidos pelos nossos ancestrais, pois não tinham como prepará-los e, se comidos crus, nos intoxicam! Como nosso organismo não é devidamente adaptado para digeri-los, o seu consumo acaba por prejudicar nossa saúde, trazendo diversos problemas como a síndrome metabólica, o diabetes e a obesidade. E o que vai ser minha fonte de energia então? A gordura natural dos alimentos! Azeite de oliva, manteiga, abacate, BACON, coco (e o seu óleo maravilhoso) serão seus novos melhores amigos.

Bom, vamos então às minhas impressões depois de um mês encarando uma vida LCHF (Low Carb Hight Fat):
De início, como tudo era novidade para mim (afinal, eu era doutrinada no modelo convencional de reeducação alimentar: frango, salada, quinoa, sabe?), pesquisei bastante MESMO, procurei me informar o máximo possível, para não fazer besteira e prejudicar minha saúde. Então, se você se interessar, PESQUISE!

Glúten: ele foi o primeiro a sair da minha vida. No dia 18 de novembro do ano passado fui a uma nutricionista aqui em Recife, e combinamos que íamos ficar um tempo sem o glúten, pra ver como meu organismo reagiria. Eu era apaixonada por pão integral, e ele fazia parte do meu café da manhã basicamente todos os dias! Além de ser super prático, dá pra fazer combinações deliciosas… Sempre usava granola em tudo, era adepta do macarrão integral etc. Nunca duvidei que para quem tem intolerância (doença celíaca), ficar sem glúten é fundamental. Mas por que eu?? Nunca me fez mal o tadinho! Pelo menos era o que eu pensava.

O que aconteceu: depois de uma semana sem comer nada que o contivesse, resolvi que um sanduichinho só não me faria mal. Resultado? Minha barriga inchou horrores, fiquei com uma distensão abdominal terrível, e o pior: nem entendi de onde veio tudo aquilo! Até que um outro dia comi novamente, e os mesmos sintomas apareceram. Foi então que a “ficha caiu”, e eu entendi que aquele desconforto todo era muito pior do que ficar sem um pãozinho. Substitui o pão nosso de cada dia por tapioca (uma outra paixão), e desde então ele foi radicalmente cortado da minha vida. Essa foto da esquerda foi cerca de 1 mês antes da retirada do glúten; a da direita já é bem recente!

Saciedade e Jejum: Basta pesquisar um pouco para descobrir que, se você quer emagrecer de forma saudável, tem que comer de 3h em 3h. Afinal de contas, se nosso organismo perceber que não está recebendo energia de tempos em tempos, ele vai desacelerar e começar a acumular tudo em forma de gordura. Então, eu era dessas marmiteiras da geração saúde: tenho duas bolsas térmicas, uma pequena e uma gigante, e nunca saia de casa sem levar diversos tipos de lanches e minhas refeições. Mas, de forma bem contraditória, estava quase sempre com fome. A depender da refeição, duas horas depois eu já estava ansiando pela próxima… Eram 45/50min de tortura esperando a hora certa para comer novamente, e uma sensação de fraqueza. E nem pense que eu comia pouco não, viu?! Olha aqui como costumavam ser meus almoços/pré treino:

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Logo que comecei a LCHF, ainda levava algumas castanhas na bolsa, ou queijo, ou os dois. Vai que eu passe fome, né? Mas não precisou mais do que uma semana para o lanche da manhã começar a passar despercebido: fome, cadê você?! Comecei a perceber que era verdade o que eu havia lido: a gordura natural dos alimentos, e óleos saudáveis, como o extra virgem de oliva e o de coco, dão uma saciedade incrível!

A fome realmente passou a aparecer cada vez mais tarde, e, quando vem, não é acompanhada daquela fraqueza de antes. A sensação de liberdade começou a tomar conta de mim, e só então percebi o quanto detestava ter que carregar marmita para todo canto. E passei a refletir se realmente faz sentido termos que comer da forma que é pregada por aí… Meu organismo (o melhor professor, ao meu ver), respondeu claramente que não!

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Energia: Enquanto migrava para a LCHF, senti alguns desconfortos característicos dos primeiros dias: um pouco de fraqueza, desconcentração, a cabeça meio leve. No terceiro dia, veio um desespero por carboidratos, além de uma fome que não passava, independente de quanta gordura eu comesse. Pensei, nesse momento, que essa vida não era pra mim, e que eu ia me dar uma semana apenas de experimentação: se não melhorasse, largava o bacon e voltava pro arroz integral e feijão verde. Foi então que, no dia 7 de janeiro (meu 6º dia), treinei na academia pela primeira vez vivendo desse jeito.

E eu fiquei pas-sa-da comigo mesma! Primeiro porque já fazia um bom tempo que havia almoçado, juraava que no final do treino não ia conseguir levantar nem uma pena, mas aconteceu justamente o contrário!! Lembro muito bem que, na época em que meu pré-treino era frango com batata-doce, não dava 30 minutos de exercício e eu já começava a reclamar pro meu professor com essas exatas palavras: “Thiago, tô sem energia nenhuma!”

Mas gente, nesse dia eu treinei como nunca! E cheguei em casa a-ca-ba-da, meus musculinhos estavam estraçalhados, mas energia eu tinha de sobra! Resolvi encarar de vez a vida “gordurenta” e desde então não fui mais a mesma. Tenho muito mais disposição para subir e descer escadas, para caminhadas, para cuidar da casa e fazer o que for preciso. Ainda sofro bastante no treino nosso de cada dia, mas sempre com vontade de alcançar o meu melhor. Já dormia bem, mas agora me sinto muito mais descansada, e muito menos preguiçosa do que costumava ser! CLARO que ainda tenho meus momentinhos, mas nunca mais me senti fraca para nada, nem mesmo em dias de jejum intermitente.

Disciplina, jacas e compulsão: Quem me acompanhou na fase da RA (reeducação alimentar) tradicional sabe: tentei ser focada ao máximo, me permiti pouquíssimas “refeições-lixo”, e apenas dois dias off (aqueles em que a gente deixa totalmente de lado a dieta, e escolhi o Natal e Reveillon, porque ninguém é de ferro). Isso em 4 meses inteiros! Vez ou outra me permitia uma escapadinha, tipo um pouco de brigadeiro ou rosquinhas de coco (amo!). No geral, resistia bravamente, mesmo que estivesse com vontade. Isso porque sei o que levou por água a baixo minhas outras tentativas de emagrecer: furava a dieta e a compulsão vinha à tona. Sim, sofria desse mal. Então fui levando desse jeito, até que encontrei a LCHF/Keto.

Uma das coisas que entendi muito bem depois de tudo que li: gordura + carboidrato = obesidade. Eu tinha que escolher, ou virava uma cavegirl (mulher das cavernas) e abraçava as picanhas e bacons da vida, ou me permitia uma “jaquinha” de vez em quando. Obviamente escolhi a primeira opção. Para minha surpresa, o tempo foi passando e descobri que meu desejo por refeições off DESAPARECEU!

Gente, sabe o que é passar na frente de uma doceria, olhar aquela vitrine e não sentir nada?! Eu também não sabia o que era isso! Mas foi exatamente o que aconteceu: se hoje não “jaco” mais, não é por foco ou disciplina: é porque mesmo que eu quisesse sair da linha, essas coisas não me tentam mais! Isso quer dizer que não comi nenhum pedaço de chocolate desde então? Não! Mas, quando eu comi, dei uma mordida e não queria mais: o que antes era sinônimo de prazer absoluto, agora é repudiado pelo meu corpo. COMO ASSIM, BIAL? Sei lá, juro que não esperava por isso, mas estou in love total com essa mudança no meu paladar.

Se tinha alguém que era formiga era eu, mas aconteceu, e não vou reclamar! Isso, gente, é porque somos desde novos alimentados com muito açúcar, ele está bastante presente em quase tudo o que comemos de industrializado, e açúcar vicia! Mesmo aquele pãozinho da padaria leva açúcar em sua composição, assim como molho de tomate, e aqueles produtos que têm ‘diet’ no rótulo. Isso mesmo! Então, depois de passada a fase de abstinência, e se alimentarmos nosso corpo conforme ele está programado, ele responde dessa forma satisfatória.

Pele: Fiquei receosa de que, devido à quantidade de gordura, minha pele fosse ficar muito oleosa e cheia de espinhas. Em toda minha vida eu nunca tive realmente que me preocupar com espinhas, elas só apareciam no período pré-menstrual. Mas minha testa sempre foi marcada por diversos mini carocinhos que eu não faço ideia do que sejam, e já tinha tentado resolver com diversos ácidos e sabonetes. Ele só cediam aos anticoncepcionais, mas todo o resto do meu corpo sofria com o uso contínuo desse tipo de medicamento, então parei já faz um tempo, e os carocinhos voltaram todos. Percebi, entretanto, uma diminuição expressiva deles nesse último mês! Praticamente não existem mais, é inacreditável pra mim! E meu cabelo, que sempre foi oleoso na raiz, não teve nenhuma alteração para pior nesse sentido. Tenho, inclusive, achado ele mais brilhoso e comportado.

Intestino: Preciso fazer esse breve comentário: algumas pessoas, principalmente aquelas que têm o intestino meio “solto”, ao aderirem a LCHF, passam por um período em que ele fica meio “preso”. Comigo aconteceu exatamente o contrário! Sempre, minha vida inteira, tive ele preguiçoso que dava dó. Mas agora está funcionando muito melhor, de forma quase regular, e só sabe a felicidade que é isso, quem já sofreu com um desses! Quase todo dia tenho ido ao banheiro, parece milagre.

Emagrecimento e hipertrofia: Finalmente o que ‘importa’, né? Mesmo na fase de RA tradicional, eu ainda não estava na fase de dieta para hipertrofia (focada em ganho de massa muscular), e sim na de emagrecimento: poucos carboidratos à noite, pouquíssima gordura, proteínas magras… E sim, estava funcionando: sai dos 65kgs mais ou menos (não tenho certeza porque passei quase dois anos sem me pesar, mas meu máximo mesmo foi entre 68/70kgs) para os 58kgs, em 4 meses. Não foi uma perda drástica de peso, mas a essa altura estava com o percentual de gordura em cerca de 23% da minha composição corporal. Meu primeiro objetivo é ficar com uns 17/19%, e era para isso que estava lutando. Por conta disso, quando descobri a LCHF/Paleo, resolvi cortar ao máximo os carboidratos, e tentar entrar em cetose.

Consegui, ao me manter nesse mês inteiro com menos de 50g/dia, e da última vez que me pesei estava com 56,5 kgs (faz uns 20 dias, ou seja, foi logo no início). Uma coisa muito importante: gente, é coisa muito rara nesse mundo eu subir numa balança. Aprendi já há muito tempo que ela definitivamente não é nossa amiga, e não mostra a realidade. Duas pessoas da mesma altura podem ter o mesmo peso, e composições corporais completamente diferentes! Por isso prefiro me guiar pelo que vejo no espelho e pelas minhas roupas (finalmente estou vestindo 38!). Hoje, nesse sentido, estou quase que satisfeita com meu corpo.

Quero continuar reduzindo meu percentual de gordura, vou continuar lutando contra uma ou outra gordurinha localizada (meus quadris sabem do que estou falando), mas o foco agora vai ser hipertrofiar os musculinhos! Então, aos poucos, provavelmente vou começar a aumentar as gramas diárias de carboidrato, e eles vão vir das frutas e das raízes. Meu treino já vinha sendo bastante pesado, com foco em ganho de massa muscular. Nos últimos 15 dias passou por uma fase mais light, e semana que vem volta com tudo, focando hipertrofia. No início da LCHF tive medo de perder massa magra, força, essas coisas… Mas não aconteceu! No fim de fevereiro pretendo fazer uma nova avaliação física, mas o que percebi é que meus músculos estão com maior capacidade de esforço, e estão mais aparentes, devido à diminuição do percentual de gordura nesse meio tempo.

Liberdade: Não tem pra onde: a melhor sensação do mundo!!! Na RA tradicional não deixei minha vida social de lado, mas era muito complicado sair pra comer. Geralmente a opção acabava sendo o shopping, porque eu fazia meu prato em algum self-service e o pessoal podia comer o que queria também. Mas não dava pra ir pra pizzaria, nem pra uma lanchonete, nem pra nada bom e barato. Os pratos de salada geralmente são caros e incompletos no quesito nutricional, além de muitas vezes serem acompanhados por elementos gordurosos. Triste vida… Marmita pra todo canto, ter que adequar o horário do treino de forma que não fosse muito longe de alguma refeição, sofrer no trânsito caso tivesse esquecido o lanche. E o pior: achando tudo isso super normal!

Sei que tem muita gente que vive assim e é feliz, não julgo a escolha de ninguém, até porque também me considerava feliz e satisfeita fazendo essas coisas. Até que você descobre que pode ser de outro jeito. E bom, de repente percebi o quanto estava ficando saturada de tudo isso! Pois agora eu vou pra pizzaria, peço uma bem caprichada no queijo e bacon, ou frango com catupiry, descarto a massa e como felicíssima! Ou um hamburger com bastante cheddar acompanhado de salada, e descarto o pão (atenção: não como isso todo dia, né?! Apesar de serem ricas em gordura e pobres em carboidratos, junk food é junk food e não deve fazer parte da rotina alimentar de ninguém!).

Passei a fazer o ovo com manteiga, e não na água! E voltei a sentir o sabor dos alimentos quando temperados com o sal na medida certa. Agora posso sair de uma churrascaria feliz porque não foi sinônimo de refeição off, e sim uma daquela que a gente pode até se orgulhar de tão nutritiva! ISSO SIM É QUE É VIDA! O que acabou acontecendo é que nem encaro mais como ‘dieta’. É meu novo jeito de me alimentar, e faz com que eu me sinta uma pessoa normal, com uma vida normal, em pleno equilíbrio com meu corpo e saúde.

Bem, pessoal é “só isso”! Falei demais, né? Mas é que estou realmente empolgada com tudo isso, e não quero deixar passar nenhum detalhe. Se posso dar um conselho, é: não tenham medo de tentar. Tem coisa que a gente só entende sentindo na pele, então se dêm a chance!

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A primeira foto foi tirada no final de Outubro de 2013 A segunda foto foi tirada dia 1 de fevereiro de 2014.

 

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